Nunca carregue nada nas costas (nem mesmo água), tudo deve
estar atado à bicicleta. Sei que muita gente gosta de utilizar mochila de
hidratação, mas este equipamento é equivocado para o cicloturismo por vários
motivos: primeiro, coloca o peso muito longe do centro de equilíbrio da bike;
segundo, a mochila abafa e aquece as costas, o que pode até provocar
escoriações com o tempo; terceiro, este é o local onde há maior incidência de
raios solares em uma pedalada, o que aquecerá a água mais rápido do que em uma caramanhola
no quadro da bike; quarto e mais importante, todo o peso colocado nas costas do
ciclista é transferido para a parte que está apoiada na bike.
É importante distribuir o equipamento para não desequilibrar
a bicicleta ou forçar demasiadamente uma parte específica da bike. Quando fizer
a distribuição, tente colocar o equipamento mais pesado sempre o mais baixo e o
mais próximo possível do centro de gravidade da bicicleta, ou seja, do ponto
onde está o movimento central - o eixo dos pedais. Desta forma, a bicicleta
fica mais estável e com melhor dirigibilidade.
Por isto, geralmente os viajantes utilizam bolsas idênticas
que ficam uma de cada lado do bagageiro e são chamadas de alforjes, como os
usados pelos cowboys nos filmes de bang-bang. Mas cuidado, não encha a bike com
muitas bolsas, é importante que o cicloturista seja capaz de carregar todo o
seu equipamento sozinho e de uma só vez quando tudo estiver desmontado.
A bolsa de guidão serve geralmente para colocar equipamentos
delicados, pois ela não choca com nenhuma superfície rígida. Serve também para
o visor de mapa, documentos e coisas de uso frequente, já que no geral é de
fácil acesso e pode ser removida da bike com um “click”.
Outros colegas gostam de levar trailers acoplados à bike.
Devo confessar que sou radicalmente contra, principalmente pelo peso da
estrutura que, apesar de parecer pouco quando pedalamos no plano, pesam
bastante morro acima. Alguns trailers têm rodas pequenas, fazendo-se necessário
carregar peças de reposição específicas. Em um aeroporto, no ônibus, para subir
uma pequena escada, você sempre terá que levar dois volumes. Isto tudo sem
falar no problema que gera quando tem que enfrentar uma estrada enlameada que
gruda no pneu: a força de arrasto nestes casos é incrível.
Somente em casos específicos o cicloturista deve optar pelo
trailer: em grandes travessias sem abastecimento algum, ou então, como os
suíços Cristopher e Catharine, que estão viajando com uma tandem que só tem
local para quatro alforjes. Para não sobrecarregar ainda mais as rodas que já
suportam duas pessoas e a bagagem, a solução foi utilizar um tipo muito ágil de
trailer que nada mais é que uma roda extra igual a qualquer outra de bike. Por
fim, o uso mais eficiente do trailer é como faz a Marcela, uma brasileira que
viaja de bicicleta com seu filho Nahuel (de 1 ano e 10 meses). Neste caso, nada
pode ser melhor que um trailer.
Em meu guia do Caminho da Fé, sugiro levar cerca de 7 kg de
bagagem (mais as ferramentas e peças de reposição para a bicicleta), tanto para
caminhantes como para ciclistas. Sei que escrevo para peregrinos; estas pessoas
já sabem que o melhor é levar muito pouco em uma viagem, sabem também que
ficarão todos os dias em pousadas e lavarão roupa diariamente. Então, por que
tanta complicação? Aconselho arranjar uma mochila ou uma bolsa de nylon
qualquer, envolver em um plástico forte e amarrar bem no bagageiro de trás da
bike. Tenho certeza que este sistema simples não trará problemas.
As soluções mais simples podem funcionar muito bem. Veja
como ficou a bike do Bruno, um francês que depois de ficar oito meses no Rio de
Janeiro, decidiu ir de bike até Cuzco. Sem nenhuma experiência, ele comprou uma
bike brasileira, pintou bem feio para evitar roubo e colocou um bagageiro de
bicicleta cargueira. Encontrei com ele no último dia de sua viagem. Ele teve
que trocar a roda e pneu no meio da viagem, mas estava bem feliz e realizado,
afinal nunca esqueça que o melhor é viajar de bicicleta!
Fonte: Revista Bicicleta

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