Confira alguns motivos para não pedalar na contramão:
-Não é mais rápido: Ao contrário da crença popular,
ciclistas que se integram ao fluxo normal de veículos chegam mais depressa ao
destino. Quando você entra na contramão tem que parar ou diminuir o ritmo a
todo instante, enquanto integrado ao
fluxo de veículos você desenvolve velocidades maiores (principalmente
considerando-se a velocidade média, que é o que determina a duração do
trajeto).
-Não é mais seguro: A maneira mais segura de pedalar no
trânsito é fazer parte dele. De acordo com estudos científicos sobre colisões,
ciclistas que pedalam na mão correta têm cerca de cinco vezes menos chances de
colisão, comparados aos que fazem suas próprias regras em vez de se integrar às
que já valem aos demais veículos. Segundo Bruce Mackey, diretor de segurança para
Bicicletas em Nevada, 25% dos acidentes com ciclistas nos EUA resultam de ciclistas
pedalando na contramão.
-Não há tempo de reação: Mais de 50% dos acidentes são de
responsabilidade do próprio ciclista – alguns citam 90% – e em menos de 1% dos
acidentes o ciclista sofre uma colisão traseira. Você tem a sensação
psicológica de que está mantendo a situação sob controle, quando na verdade não está. Se você vê um carro desgovernado vindo na sua direção, não dá tempo de
desviar dele, principalmente porque suas velocidades estarão potencializadas,
ou seja: a velocidade com a qual o carro se aproxima de você é a sua somada à
dele. Um carro a 60km/h com você a 20 estará chegando a você a 80km/h. Se vocês
estivessem na mesma direção, ele chegaria a você com metade dessa velocidade:
40km/h. Com o bom uso de um espelho e de seus ouvidos, você tem o dobro do
tempo de reação. O carro também tem esse tempo e é mais importante o carro
desviar de você do que você desviar dele, porque ele consegue desviar melhor.
Você não consegue jogar sua bicicleta cinco metros para o lado em um segundo,
mas o carro pode fazer isso se houver tempo suficiente.
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| foto: Pedalbeer |
-Em caso de colisão, os danos ao seu corpo serão bem
maiores: Pelo mesmo motivo do item anterior (soma de velocidades), se você
bater de frente com um carro vai sofrer muito mais. E ainda há um agravante, a
inércia. Se você está indo no mesmo sentido do carro, ele vai pegar primeiro
sua roda traseira e você sairá voando por cima do guidão devido à inércia – era
seu movimento anterior, a bicicleta foi agarrada pelo carro e você continuou –
ou devido à transmissão de energia cinética – o carro colidiu com a bicicleta,
transferiu parte do movimento para ela e consequentemente para seu corpo;
quando a bicicleta parar uma fração de segundo depois porque a roda de trás não
gira mais, seu corpo sairá para a frente com o movimento transferido. Melhor
voar por cima da bicicleta em direção, provavelmente, ao asfalto livre e
estacionário, do que se chocar com um para-brisa ou capô que além de estar a um
metro de você no momento da colisão ainda vem em sua direção, com a força de
impacto de várias toneladas.
-É mais difícil evitar a colisão: Andar na contramão é chegar
nos carros mais depressa. Trafegando em direções opostas, tanto você como o
motorista precisam parar totalmente para evitar uma colisão frontal. Trafegando
no mesmo sentido, o motorista precisa apenas diminuir a velocidade para evitar
a colisão, tendo muito mais tempo para reagir.
-Você surpreende os carros: Como você chega mais rápido nos
carros, você os pega de surpresa. Principalmente em curvas à direita: o
motorista está fazendo a curva quando de repente aparece você vindo na direção
dele. Não há tempo de reação, ele não consegue frear, não pode ir para a
esquerda porque há outros carros, na direita tem um carro parado. Você também
não pode se jogar para a calçada, há carros parados. O que acontece? Se vocês
estivessem no mesmo sentido, ele teria bem mais tempo para reagir, talvez até o
dobro, e poderia apenas diminuir a velocidade para evitar a colisão. Um carro
não estanca imediatamente, mesmo que o motorista queira, se esforce e tenha um
freio ABS com pneus bons.
-Os motoristas não te vêem nos cruzamentos: 95% dos
acidentes com bicicletas acontecem em cruzamentos. Quando um carro entra num
cruzamento, ele olha apenas para o lado do qual os carros vêm! Imagine um carro
entrando numa avenida. Para que lado ele olha? Para a esquerda. Não vem carro,
ele entra. Nisso você está chegando com sua bicicleta e ele te pega de frente.
Não tem buzininha que resolva isso.
-Os motoristas não te vêem ao sair das vagas e garagens: Ao
sair de uma vaga em que está estacionado, o motorista olha para trás, seja
pelos espelhos ou pela janela, para ver se há veículos vindo. O mesmo ocorre
quando ele sai de uma garagem de prédio ou de um estacionamento. Ele não olha
para a frente, afinal não vêm carros daquela direção. Você, vindo na direção do
carro, nem sempre verá que o motorista vai sair da vaga e, quando vir, talvez
não adiante mais frear. Ao sair, ele vai te pegar de frente, mesmo que você
esteja parado. Esqueça se jogar para a calçada, há um carro estacionado do seu
lado. Meus pêsames.
-Os motoristas não te vêem ao abrir as portas dos carros: Se
muitos já não olham pelo espelho para abrir a porta do carro e ainda culpam o
ciclista por isso, imagine se vão olhar para a frente para ver se vem vindo uma
bicicleta. A chance de levar uma portada é muito maior.
-Os pedestres não te vêem: Quando um pedestre vai atravessar
a rua, ele olha para o lado que os carros vêm. Preste atenção no seu próprio
comportamento na próxima vez que for atravessar uma avenida a pé e perceberá
como isso é verdade. Por isso, pode acontecer de alguém aparecer do nada na
frente da sua bicicleta, saindo do meio dos carros, de costas para você. E não
vai dar tempo para fazer nada.
Fonte: Vá de bike
Imagem: Reprodução

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